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MORTE DO CANTOR SOBRALENSE BELCHIOR COMPLETA 4 ANOS
01/05/2021 09:15 em MÚSICAS

Há quatro anos, em 30 de abril de 2017, morria Belchior. Uma década antes, no entanto, o cantor das composições com vocabulário simples, mas metaforicamente rebuscadas, parecia já querer enterrar parte de sua trajetória.

Sem dar explicações, ele decidiu viver um autoexílio, longe da família, dos amigos e dos holofotes. Deixou saudades, dúvidas e dívidas que o fizeram ser procurado pela Justiça e pela mídia. Intrigados pela pergunta que muitos faziam, “Por que Belchior agiu assim?’’, e em busca de uma resposta, os jornalistas Chris Fuscaldo e Marcelo Bortoloti decidiram percorrer os últimos lugares por onde o artista passou.

As descobertas dessa peregrinação estão no envolvente livro “Viver é melhor que sonhar’’ (Sonora Editora, R$ 59), que traz histórias colhidas com mais de 150 entrevistados, em grande parte pessoas que cruzaram com o músico nesse período controverso.

“Nós achávamos que íamos encontrar uma resposta única. Mas ele morreu sem falar com ninguém e fomos percebendo que a explicação não era simples. Porque Belchior era um cara profundo, complexo. Questões práticas e outras muito sutis colaboraram para esse gesto dele’’, argumenta Bortoloti.

Em 2007, o cantor se divorciou de Ângela, sua mulher durante 30 anos e mãe de seus filhos Mikael e Camila (ele ainda tinha mais duas herdeiras fora do casamento). Um telefonema para a filha em dezembro daquele mesmo ano, com felicitações de aniversário, foi o último contato feito com os parentes. A partir daí, Edna Prometheu passou a ser a companheira inseparável de Belchior, com quem ele vagou inicialmente por São Paulo e Rio, e depois pelo Sul do Brasil e Uruguai. Controversa, ela é quase que onipresente no livro. Apontada por muitos como a culpada pela derrocada do cantor —numa inevitável comparação ao papel de Yoko Ono na vida de John Lennon —, Edna é julgada por outros como uma figura que servia de escudo necessário para Belchior. Zeca Baleiro, que conheceu os dois em 2014, na cidade de Santa Cruz do Sul, onde fez um show, a classifica como “cão de guarda”.

Não de modo pejorativo, mas apontando-a como aquela pessoa que todos os artistas populares têm junto de si — geralmente a esposa ou o empresário — e que cuida do entorno, tantas vezes ganhando a fama de antipática e permitindo que o astro fale apenas do que gosta, sua arte.

 

“As acusações a Edna parecem ciúme dos anfitriões que os receberam nesses lugares. Acho que ela surge para ser o suporte dele. Sobre as inúmeras situações em que ela impedia que ele cantasse para quem os hospedava, por exemplo... Certamente isso era alinhado entre os dois. Se ele quisesse cantar, cantaria. Os entrevistados contam que Edna era uma pessoa inteligente, boa de conversa, mas não era uma mulher fácil. E mulheres fortes incomodam”, pontua Chris, seguida por Bortoloti: “Edna idolatrava Belchior. Não aceitava que ninguém o tratasse com menos dignidade do que ele merecia’’.

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